SEÇÃO 31 TV #2 | A Beleza De Sermos Substituíveis


Em nosso segundo episódio, Roberta Manaa segue com suas fascinantes reflexões no universo de STAR TREK!

Edição: Waldomiro Vitorino


Comentado nesse SEÇÃO 31 TV:

  •  “THE MASTERPIECE SOCIETY” (TNG S05E13)

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  • Gustavo

    Penso que num mundo perfeito todos deveriam ter oportunidades iguais para desenvolver plenamente seus potenciais ou mesmo escolher uma vida mais simples e desprovida de ambições intelectuais, sem com isso ser julgado pela sociedade. Um mundo próximo ao que vemos em TNG (Picard/Robert).
    Será que sua amiga se inspirou em “Um Conto de Natal” de Charles Dickens ?

  • Renata

    Pode parecer tolice o que eu vou dizer, mas nessa questão de você interferir na vida de uma pessoa, mostrando para ela opções que ela não conhecia, somente porque você conhece e acha bom que ela saiba….. também não seria um forma de egocentrismo? Deixa eu tentar me fazer entender melhor. Julgar uma pessoa prisioneira porque ela não tem toda a informação que você tem, é necessariamente o melhor pra ela? Não sei… Essa visão que eu estou apresentando parece meio cristã (conhecer o bem e o mal só fez mal ao homem), mas não sei… não seria impor o seu modo de vida a outra pessoa? Ou eu estou muito equivocada?… Me vem a Primeira Diretriz na cabeça: a gente pensa que está ajudando, mas estamos apenas impondo nosso estilo de vida.

    Não sei se eu faria a escolha da liberdade insegura ao invés de um vida planejada segura. Não sei mesmo.

    E aquele ditado “Ignorance is Bliss”? rsrsrs

    Só estou colocando aí pra discussão. Abraços!

  • Roberta Manaa

    Renata e Gustavo, ótimas reflexões, obrigada pela oportunidade de seguir a conversa :)

    Eu acho que o compartilhamento do conhecimento pode ser egocêntrico se você tiver a intenção de influenciar a pessoa a agir de determinada forma, ou porque essa ação lhe beneficiará de algum jeito ou porque você só tem capacidade de conceber determinada forma de vida. Tipo assim: você achar a música que escuta tão sensacional que não imagina alguém sendo feliz se for fã de outro estilo musical. Daí mostra o seu estilo musical para que a pessoa mude.

    Mas o compartilhamento de conhecimento pode ser altruístico. Eu sou super a favor desse tipo de compartilhamento em função da minha criação: eu fui apresentada a diversas religiões e tive oportunidade de escolher alguma ou nenhuma. Eu fui apresentada aos diversos tipos de economia e governo e fui atrás dos que eu achei mais justos. Isso me parece liberdade: você sabe que tem vários caminhos. Se não soubesse, não poderia escolher entre nenhum, só poderia seguir em frente. Claro que o conhecimento torna a vida mais difícil, pois você tem que conscientemente deixar milhares de possibilidades para trás e arcar com as consequências das suas escolhas. Nesse sentido, concordo com o Gustavo: é essencial entender e respeitar quem opta por uma vida mais simples – inclusive na nossa sociedade. Ao nosso lado, no trabalho, na academia, tem um monte de gente assim. São opções válidas como quaisquer outras.

    Mas de forma alguma vejo a apresentação de conhecimento como compulsória. Se eu te mostro teorias, a ideia é que tu reflitas sobre elas e concluas se elas fazem sentido pra ti. Mas de fato, a pessoa não ter absolutamente todas as informações não faz dela prisioneira. Aliás, é uma impossibilidade física sabermos de tudo que tem pra saber – com o passar dos anos e com o acúmulo de conhecimentos da nossa sociedade, temos acesso a um número cada vez maior e, paradoxalmente, mais restrito de conhecimentos, pois temos que nos tornar especialistas em uma parte cada vez menor do todo.

    Essa discussão me traz à mente o pega entre Keiko e Vedek Winn, no “In the hands of the Prophets”: a Keiko luta para manter no currículo uma gama maior de conhecimentos, enquanto a Winn quer restringir o acesso às informações. Sim, os motivos da Winn naquele momento são “maiores”, mas para alguns religiosos isso é essencial na manutenção do poder. É só a gente reparar o medo que radicais religiosos têm dos livros e da educação das mulheres. Será que se as mulheres subjugadas soubessem da Angela Merkel, elas se sentiriam capazes de ser algo além de donas de casa? A maioria das pessoas no Egito acha que uma mulher é incapaz de lidar com muita responsabilidade. Se elas pudessem ler o jornal, elas pensariam de forma diferente? Se uma mulher brasileira sabe que ela pode ir à delegacia da mulher para manter um marido abusivo longe de casa, ela vai seguir sendo violentada? Em todos esses sentidos, vejo que a informação liberta.

    Sobre a Primeira Diretriz, acho uma furada. A questão toda deveria se resumir em razoabilidade: o Kirk não poderia ensinar os caras a produzirem armas, deveria dar equipamentos que desabilitem as armas da tribo violenta do outro lado. Em alguns casos a não intervenção numa cultura faz sentido, tipo no “Natural Law”, de Voyager. É uma civilização primitiva e a intenção dos vizinhos é bancar os europeus nas Américas. Aí não, né? Hehehe Mas em regra, me parece que a Primeira Diretriz é equivocada no sentido de que qualquer ação pode ter consequências boas ou ruins. Tipo assim, dar uma moeda pra uma pessoa em situação de rua pode ajudá-la a ter uma refeição quentinha ou ajuda-la a comprar uma pedra de crack – e inclusive, esse pode ser o começo do vício dela. E aí, você será a culpada pelo vício daquela pessoa?

    O que as pessoas fazem com os recursos que têm, em última instância, é decisão delas. O importante é que elas tenham recursos. Outro dia ouvi a entrevista de uma professora americana super bem sucedida. Ela tem um irmão e ambos tiveram rigorosamente as mesmas oportunidades. Ela é palestrante e professora em uma universidade mega conhecida. Ele é faxineiro na universidade. Ele teve oportunidade, mas não teve a mesma ambição dela. Voltamos ao ponto do Gustavo: foi uma opção dele, tão digna quanto a dela. Talvez ele seja tão ou mais feliz do que ela. Esse exemplo me pareceu adequado porque é análogo ao caso de ampliar a gama de conhecimentos e dar oportunidade de escolha: seria injusto que o irmão dela fosse faxineiro se ele só pudesse ser faxineiro, se vivesse em uma sociedade estratificada na qual ele não tivesse tido oportunidades diferentes. Mas não é injusto: ele pode escolher o caminho para si.

    E me fizeste pensar que de certa forma, a Primeira Diretriz vai de encontro aos princípios da Federação: a primeira diretriz é de não interferência, mas a Federação exige que o planeta tenha o modo de vida da Federação para passar a integrar a Federação. Nesse caso, até poderíamos pensar em uma assimilação insidiosa, como diria o Eddington. Não sou contra os princípios da Federação porque são todos baseados em valores éticos, além de não serem impostos: os planetas que quiserem, entram no jogo. Ainda assim, podemos pensar nisso como um paradoxo, não?

    Acho que me estendi um pouquinho…. >.<

  • Pingback: SEÇÃO 31 #28 – “Transfigurations” | SEÇÃO 31 | Star Trek Podcast()

  • Rodrigo A. Sena Pereira

    Fascinante! Excelente discussão sobre a Primeira Diretriz e ética! = A edição de imagem e principalmente de som é ótima (as músicas no início e final)!!

    • http://secao31.blogspot.com.br/ Waldomiro Vitorino

      Muito obrigado pelos elogios, Rodrigo! Dá um certo trabalho editar e tudo mais, mas é bom saber que estão curtindo. Valeu!

    • Roberta Manaa

      Muito obrigada, Rodrigo! A edição é excelente, muitos créditos ao Waldomiro :)

  • http://transicaobrasil.blogspot.com.br cristiano

    Excelente apresentação sobre o tema Roberta! Tratou o tema com a amplitude necessária . Acrescento que se considerarmos o mesmo tema e ‘ capturarmos ‘ episódios de todas as séries tendo como filtro a década , creio que veremos considerações que são ” tratadas ” desse jeito nos 60’s , outro nos 80’s e por aí vai….

    Acho até que pode ser tema de um seção31 futuro – Uma tema , várias décadas de Star Trek ! ( kkkk )

    Sua apresentação é tranquila e envolve para esse diálogo com o tema tratado .

    Waldomiro com a edição está de parabéns .

    Primeiro seção tv de muitos ! Continue !

    Vida longa & próspera

    Cristiano

    • Roberta Manaa

      Cristiano, muito obrigada!
      É um tema bem interessante pra um Intercom, este que tu propuseste! Quem sabe, Waldomiro? :)
      Não me deixa nada triste a ideia de assistir vários episódios, de várias séries diferentes hehehehe